sexta-feira, 26 de março de 2010

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“Entra, ao menos até que as curvas do caminho”
Permitam que se veja um novo alvorecer,
E nele se refaça a cor de algum prazer,
Jamais se permitindo ao sonho estar sozinho.

Não deixe que esta luz um dia te abandone,
Pois dela tão somente existe e se concebe
Dourando com certeza a mais sublime sebe,
Por onde perseguia o encanto que se adone

Do vário sentimento aonde se propaga
A fonte renovada e nela se mergulho
Encontro muito além do simples pedregulho
Vencendo em calmaria a força de uma adaga,

E tendo esta certeza, eu vivo só por que
No amor a divindade além do que se vê.


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“E a minha alcova tem a tepidez de um ninho,”
Jamais te deixarei sentir um duro inverno,
E quando em solidão, por vezes se eu hiberno
Encontro num amor, as tramas do caminho,

Vencendo qualquer medo e tendo nos meus dias,
Além da realidade imenso sonho trago,
Volvendo o pensamento ao doce e raro afago
No qual e pelo qual decerto tu me guias

Levando ao mais extremo e raro sentimento,
Deixando no passado a imagem mais nefasta
Do quanto em desamor a vida se fez gasta
E agora se permite ao menos este alento,

Pressinto ter em ti as cores do futuro,
Já não conheço mais um tempo amargo e escuro..


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“A neve anda a branquear, lividamente, a estrada,”
Mas nada tramaria o medo que talvez
Gerasse a solidão, imensa insensatez,
Deixando para sempre alheia uma alvorada.

Albores que conheço em raros tons, matizes
O amor extenso e raro estende-se infinito
Traçando muito além do mero simples mito
E trama este desejo a mais do que me dizes

Se mostra muito mais do que pensara outrora
Formando e reformando a solidez do sonho
Aonde se percebe o quanto já proponho
Num porto bem seguro, o barco ora se ancora

E trama com delírio o vento do amanhã
Deixando a própria morte, estúpida e tão vã;


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“”Vives sozinha sempre e nunca foste amada”
Imaginavas ter a solidão eterna
Enquanto se mostrava a sorte qual lanterna
Tornando com certeza iluminada a estrada

Por onde caminhaste alheia e ao deus-dará
Durante tanto tempo imersa no vazio
E agora em pleno amor, deveras desafio,
E o sol outrora escuso em ti já brilhará,

Domando assim o medo e tendo novo encanto,
A sorte se mostrando a mais que a própria vida
Na eterna claridade agora sendo urdida
Adormecendo então antigo e vão quebranto.

Mergulho junto a ti e creio ter além
Do quanto amor se dá e tudo o que contém...


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“Eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho,”
Assim imaginara até poder saber
O quanto se faz tanto e nele o meu prazer
Vivendo o amor intenso e nele se me aninho

Encontro a liberdade até de ser e estar
No bojo deste encanto e quando me envolvendo
Sabendo desde sempre o quanto em estupendo
E raro e farto brilho, o amor se fez amar.

Ascendo ao Paraíso e vejo quão possível,
Saber do etéreo sonho aonde me entranhara
Tocando esta ventura, e dela a fonte rara
Jamais imaginando um dia perecível.

Sagrada sensação do amor que me domina,
Já percebendo enfim a inesgotável mima

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“Entra, e, sob este teto encontrarás carinho:”
Compartilhando a sorte agora venturosa
De ter neste jardim uma olorosa rosa
Que possa permitir o sonho onde me aninho,

Após a solidão terrível companheira
Vislumbro em teu olhar o quando desejado
Caminho para o qual além do vago enfado
A sorte se transforma e traça esta bandeira

No amor já desenhada e em luzes percebida,
Mundo num momento a trama outrora triste
E agora tão somente em brilho já persiste
Tornando bem maior o que pensara vida,

Acolha quem te acolhe e assim perceberás
Suprema fantasia e nela o amor em paz.

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“Ó tu que vens de longe, ó tu, que vens cansada,”
Descanse neste ninho aonde encontrarás
Além do amor intenso e tanto ou sempre audaz
Certeza deste sol tomando uma alvorada,

Brilhando imensamente e dele a intensidade
Na qual em plenitude a vida já permite
O sonho magistral sem ter qualquer limite
E quando se concebe o quanto nos invade

Suprema maravilha em raios nos dourando,
Incomparável fonte aonde perpetua
A plena claridade além mesmo da lua
Tornando o caminhar suave e bem mais brando,

E nele transmudando o que já fora um norte,
Gerando tanto amor além da própria morte.

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