sexta-feira, 2 de abril de 2010

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28480

“vêm com o peixe de sombra”
Nada têm senão tal brilho
Espinhando um andarilho
Que decerto não se assombra
Gira mundo, mundo gira
Nada além de um girassol
Bebe a lua, engana o sol,
Nos seus braços já se atira
Fere fundo e nada teme
Navegando no deserto
Neste campo enorme e aberto
Da tocaia faz o leme
E verdeja de esperança
Quando à lua assim se lança.

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“Grandes estrelas de escarcha”
Sobre a terra em gotas vejo,
Nada além de algum desejo
Cada brilho dita a marcha
Vago contra o desarrumo
Desarrumo contra a vaga
O luar quando me afaga
Esvaindo a dor em fumo,
Nada além deste vergel
Prateado com carinho
Já não sigo mais sozinho
Estrelas em carrossel
Céu e chão e lua clara,
Fonte verde se declara.

28482

“sem ela poder olhá-las”
Vejo luas de repente
E deveras se pressente
A mortalha feita em balas
Nada temo, sigo em frente
Um cigano coração
Sabe bem da direção
E se muda de repente
Já pressente novo dia
Verdejante natureza
Tendo enfim esta certeza
Lua tanto percebia
Um corcel ganhando estrada
Nesta noite enluarada.

28483

“as coisas a estão olhando”
Tudo gira, nada resta
No verdejo da floresta
Vento forte, vento brando
Meu compadre sabe tanto
As tranças verdes daquela
Que este tempo já revela
Com olhares de quebranto
Se me espanto ou não com isso
Precipício não se faz
Caminheiro mais audaz
Com a vida em compromisso
Lua traça verde brilho
Meu corcel ganhando o trilho.

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“Por sob a lua cigana,”
Ganha espaço em prata feito
Nada mais tomando o jeito
Coração não mais se engana
Caminheiro tida a norma
Nada tendo a mais na sorte
Com o giro que comporte
Todo o resto se deforma
E clareia em lua plena
Verdes matas, verdes olhos
Já não teme mais abrolhos
Verde que te quero acena
E o caminho se mostrando
Quando a lua verdejando.

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“Como a sombra na cintura,”
Nada teme quem se dá
E singrando desde já
No punhal encontra a cura,
A cigana lua vendo
Tal cenário em verdes tons
Desce em raios traça em dons
Os desníveis como adendo
E o corcel ditando o rumo,
Nada teme que deserta
Segue estrada agora aberta
Se esvaindo feito fumo,
O cavalo na montanha
Verde tempo, verde sanha.

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“e o cavalo na montanha”
Ganha lua prata além
Quando o sonho ainda vem
Verdejando o perde e ganha
Nada tendo com a sorte
Que deveras se transforma
O luar ditando a norma
Tendo o tempo que conforte
Lua cheia, carrossel
Prata em verde caminhada
Esta lua vislumbrada
Dominando todo o céu,
Nada temo, vou em frente
Um cigano em voz ardente.

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“O barco por sobre o mar”
O cavalo ganha a lua
Encilhado já flutua
Aprendendo a navegar
E o que fosse contratempo
Um verdugo se verdeja
Tendo tudo o que deseja
Doma o céu e vence o tempo,
Meu compadre não se esqueça
Do cigano companheiro
Vasculhando o derradeiro
Canto que me fortaleça
Prateando o verde louro
Tendo enfim ancoradouro.

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