terça-feira, 13 de abril de 2010


29698

“De emudecidos canhões”
De momentos mais cruéis
Tantos dias fartos féis
E deveras tu compões
Os anseios mais ferozes
Outros tantos sonhadores
E se tens ainda flores
Posso ouvir as mansas vozes
Prometendo primaveras
Muito além do que me destes
Em tais solos mais agrestes
Tanto quanto ainda esperas
Nas espreitas por momentos
Os terrores, sofrimentos.

29699


“Que arranca brados do peito”
Os anseios e os tormentos
E deveras pensamentos
Neles vivo insatisfeito
Ao gerar cada abandono
Ao gerir a tempestade
Cada passo que degrade
Cada vez do quanto adono
Esperança dita o quando
Não pudesse mais sonhar
Tendo além qualquer luar
O meu mundo se moldando
Na mortalha que me resta
Noite amarga e tão funesta.


29700

“Representa um alto feito,”
O prazer de quem domina
A verdade em nova sina
O caminho contrafeito
Quem pudesse ter a sorte
De viver felicidade
Mas deveras me degrade
Tanta dor traçando a morte
E o terror a cada passo
Não cabendo mais conforto
Onde houvera um manso porto
Turbulência agora eu traço
Do vazio que sou eu
Tudo há tanto se perdeu.


29701


“Diante de duas nações,”
Emoção, razão e medo
O que tanto não concedo
Na verdade não compões
O meu verso mais atroz
A palavra tanto fera
Dela muito aquém se espera
Nem sabendo rio e foz
Mergulhando no vazio
Os penhascos do passado,
A mortalha é meu legado
Cada verso é desafio
Morte feita há tantos anos
E deveras desenganos...


29702


“Falando só e só ela”
O que tanto poderia
Quem vivendo a fantasia
Noutro encanto se revela
Mas a sorte é caprichosa
E não deixa que se veja
Todo bem que tanto almeja
Quem conhece espinho e rosa
Sendo assim itinerante
Sendo assim tão destrutiva
Do caminho que se priva
Novo mundo se adiante
E talvez ainda creia
Neste tanto em luz alheia.


29703


“Atriz majestosa e bela,”
Lua imensa, sertaneja
Tudo quanto mais deseja
No seu colo já se atrela
Prateando em noite clara
Dominando este horizonte
Bem mais alto ali desponte
Quem decerto de declara
Muito mais do que pensava
Um sobejo caminheiro
Ao se ver em tal luzeiro
Alma nunca sendo escrava
O braseiro da alegria
Tanto quanto se recria.


29704


“Vai a cidade falar”
Quem conhece este sertão
E deveras sedução
Espalhando céu e mar
Se provendo do que tanto
Mergulhara noutras eras
E se mais do quanto esperas
Encontrares o meu canto
Com ternura feita em luz
Expressando esta alegria
Tanto amor já se recria
Neste encanto que conduz
Caminheiro em noite imensa
Sempre espera a recompensa.


29705


“Entre os ruídos do povo”
As senzalas do passado
Ao se ver já vislumbrado
O que nunca mais de novo
Reprovando cada engano
Dos engodos mais ferozes
Aumentando nossas vozes
Dia calmo e soberano
Não podendo mais colher
Do pomar desta esperança
O meu brado ao não se lança
Tanto mundo a percorrer
E se teimo contra a sorte
Um amor é meu suporte.


29706

“Entre os aplausos do mar,”
Muitas vezes naveguei
E se fosse a sorte a lei
Não podia mais sonhar
Viajante do passado
No futuro não concebe
Novo dia em mesma sebe
Sabe tanto o seu legado
E não posso ver o quanto
Não mereço e nem pudera
Sem saber da primavera
Este inverno em desencanto
Universo em desacato
Noutro tempo eu me retrato.

29706


“Neste dia, sempre novo,”
Batalhões de sonhos trago
Procurando algum afago
Adentrando assim meu povo
Ao provar ser necessário
Caminhar de peito aberto
Se meus sonhos não deserto
Sigo sendo temerário
E deveras sonhador
Quem se fez quase poeta
Na verdade tendo a meta
Se completa no louvor
Poesia me amortalha,
Mas meu campo de batalha.

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