sábado, 5 de junho de 2010

35551 até 35560

1

O quanto já vivido
Em festas, dores, preces
E assim ainda teces
O tempo pressentido
No farto ou resumido
Caminho em riscos, messes
E beijas e obedeces
À força da libido,
O tanto se permite
Sem ter sequer limite
Resumo minha história
Na fonte incontestável
Do mundo renovável
Resíduo na memória.

2

Percebo algum momento
Aonde poderia
Vencer esta agonia
Deixar qualquer lamento
E quando me apresento
Em noite torpe e fria
O todo se esvaia
Nas mãos do sofrimento
Frescor da madrugada
Vibrar em primavera,
A sorte. Ah quem me dera,
No fim não resta nada
Somente esta lembrança
Que ao longe o tempo lança...

3

A vida, inconsciência
Do fardo que carrego
E adentrando meu ego
Total incoerência
Ainda em inocência
Às ânsias eu me entrego
Em mar turvo navego
Buscando uma clemência
Aonde não havia
Sequer ao menos dia
Tampouco alguma luz,
E assim sem ter mais nada,
Ausente esta alvorada
À morte me conduz.

4

Um êxtase qualquer
Que possa me trazer
Além deste prazer
O bem que inda vier,
No corpo da mulher
No farto bem querer,
No quanto me esquecer
Da dor quando puder,
Restando ainda um brilho
Por onde às vezes trilho
E teimo em luz diversa,
Assim o meu caminho
Embora vão mesquinho
Numa esperança versa.

5

O quanto quis bendito
O tempo mais feliz,
A sorte contradiz
E lança inútil grito
Enquanto me permito
Viver o que bem quis
Sangrando este aprendiz
No gélido granito,
O medo que ora entranho
A perda invés do ganho
O resto conta pouco,
O mundo não suporta
Nem pouco abrindo a porta
Ao coração mais louco.


6

Assim a Natureza
Envolta em sombra e luz
Ao quanto me conduz
Ou mesmo de surpresa
Gerando a correnteza
Por onde tanto pus
Ou quando enfim me opus
Exposto em farta mesa,
Resisto o quanto possa
Uma alma adentra a fossa
E tenta a cordilheira,
Assim o tempo esgota
E nele não se nota
Sequer o quanto queira.

7

As almas encontrando
Caminho variado
Nas grotas do pecado
Num ar turvo e nefando
No tempo desandando
No risco desolado
Dos sonhos o recado
Por vezes turvo ou brando
O fardo se carrega
Na vida angústia cega
O porte me atormenta,
Viver etéreo sonho
E quando me proponho
Minha alma vai sangrenta.

8

Rondando este infinito
Aonde poderia
Viver a fantasia
Tateio enquanto omito
O passo mais bonito
A sombra de outro dia
E tendo esta magia
E nela um novo rito
Esbarro no non sense
Por mais que ainda pense
Na sorte derradeira
Quem tem olhar ausente
Por mais que sempre tente
Destroça esta bandeira.

9

A força de um mistério
O corte se aproxima
Do quanto pode o clima
Em mim um monastério
E tento o ministério
Aonde o sonho estima
A vida dita a rima
E bebo sem critério
O vândalo caminho
E sendo vão mesquinho
Não resta sequer isto,
Apenas sou medonho
E quanto mais eu sonho,
Decerto em luta insisto.

10

A força que nos toma
E deixa para trás
O quanto fora em paz
E agora não se doma,
O verso velha soma
E nele tanto faz
O quanto fora audaz
Ou mesmo se retoma
O ritmo costumeiro
Da sorte quando cheiro
Perfume mais alheio,
Encontro o desafeto
E nele me completo,
Seguindo o velho veio.

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