sábado, 6 de novembro de 2010

19401a 19500

19401

Revendo-te por tantos prismas tento
Vencer o quanto a vida trouxe após
A sorte desaguando noutra foz
Entregue sem saber ao mesmo vento,
O beijo se entranhando em pensamento,
O corte na raiz, o sonho atroz
O medo desenhando em velhos nós
O dia se mostrara em desalento,
Apresentando o sonho a cada passo,
Ainda quando o fim do todo eu traço
Restando dentro da alma a solidão,
Emprego cada verso na expressão
Aonde o meu momento sempre lasso
Traduz o que pudera em explosão.

19402

Bem sei que, amor, tu vives sem descanso
E o mar quando o procuro nada vejo
Apenas o caminho de um desejo
Que tanto poderia e não alcanço
O mundo se desenha num remanso
E o passo se transforma enquanto almejo
Somente este vazio mais sobejo
E o traço se presume e assim me canso,
Vencido pela dor de ser tão só
A vida não pudera além da dó
Nem mesmo o que inda resta no meu peito,
O farto delirar já não se vendo
A sorte na verdade algum remendo
E nela sem sentido nada aceito.

19403

Teu corpo, nossos corpos: união?
Ao mesmo tempo vejo o fim de tudo
E sei que quanto mais eu já me iludo
Os dias com certeza não verão
Sequer o que pudesse em precisão
Num passo mais audaz, mesmo miúdo
E o corte se aproxima e sigo mudo
Matando dentro da alma a solução.
Esqueça qualquer sonho e vá aquém
Do fato desejado que não vem
Marcando a ferro e fogo, cicatrizes
Trazendo o que pudesse e nada veio
Somente o meu caminho mais alheio
E nele cada passo contradizes.

19404

Quero toda a alegria e nada mais
Dos medos entre tantas ironias
Ainda que pudesse não virias
Trazendo nos teus olhos os cristais
Os dias se repetem, são venais
E matam cada voz em poesias
Marcando com terror o que trarias
Enquanto noutro rumo tu te esvais,
Engendro cada passo rumo ao todo
E sei do meu caminho em pleno lodo
Mergulhos nos engodos da emoção
E os tempos noutros dias aprofundo
Girando sem sentido neste mundo
Tocado pelas ânsias que virão.

19405

Para emoldurar nossos momentos
Em telas tão diversas desenhadas
Ainda que pudesse em madrugadas
Tocadas pelas ânsias de tais ventos,
Ousando na verdade em desalentos
As sortes noutras tantas degradadas
Enquanto dos meus sonhos tu te evadas
Aprendo com as dores, sofrimentos.
Arcando com meus erros, berros, chagas
E quando sem sentido te me afagas
Matando o que restara deste sonho,
Jogado dos escombros da esperança
A vida a cada passo não alcança
O quanto mais sonhara além me ponho.

19406

Nas ânsias e desejos mais audazes
O tempo se aproxima de outro rumo
E quando na verdade eu me resumo
Enquanto esta saudade tu me trazes
Esvaem no meu peito as tantas fases
E nisto a solidão tomando o prumo,
Esqueço da alegria e me consumo
Nas ânsias mais doridas e vorazes,
Espero a cada queda o corretivo
E sei do quanto possa e já me privo
Do sonho e nada resta além do fim,
Escândalos diversos da esperança
A vida na verdade nada alcança
Sequer a primavera em vão jardim.

19407

Serei o teu escravo ou nada mais
Do quanto em alforria pude crer
E sei da solidão a se tecer
Vencendo os meus caminhos temporais,
Resumos de outros dias, sempre iguais
Matando o que pudera amanhecer
E nada mais se tenta merecer
Senão este caminho em ledo cais.
Presumo alguma sorte após o fato,
Porém a negação sempre constato
Arcando com meus erros sem valia,
Ainda quando pude ser feliz
O mundo com certeza nada diz
Nem mesmo uma esperança caberia.

19408

Não deixe que a saudade tome a cena
E roube cada sonho em nascedouro
A vida sonegando o ancoradouro
A porta a cada engano mais se empena,
O medo na verdade quando acena
Marcando o que pudesse ser tesouro
E nisto com certeza não me douro
A sorte não seria jamais plena,
Escassos sonhos dizem do futuro
E o nada sem juízo eu configuro
Matando o quanto pude e nunca vinha
Imagem delicada da mulher
Diversa da que busco e quanto quer
Uma esperança audaz, porém daninha.

19409

Não quero te perder em meio ao nada
A vida não presume a liberdade
E o todo que deveras desagrade
Ainda quando a sorte assim se evada.
Aprendo com a noite desolada
E vejo o que pudesse noutra grade
Sem ter no meu olhar a claridade
Da noite com beleza enluarada,
Correntes tão diversas, elos tantos
E os dias entre medos e quebrantos
Cerzidos pela dor em face escusa.
Sagrando a fantasia mais audaz,
O todo na verdade não compraz
Caminho no vazio se entrecruza.

19410

Calor vai me tomando e nada resta
Sequer o que pudesse ser além
Da vida quando o nada me provém
Matando em nascedouro qualquer festa.
A sorte no vazio ora se empresta
E marca cada passo com desdém,
O amor se produzindo sem refém
O quanto do passado agora infesta
Nesta aridez do estio em minha vida
A morte desenhada e preferida
Expressa o fim, também dita o começo,
E o nada que pudesse adivinhar
Trazendo sob os olhos luz solar
Sonhar se fez apenas o adereço.


19411

Ao ver deitada aqui a lua imensa
Deitando sobre nós a sua prata
A vida neste instante já retrata
O que esta alma deseja e sempre pensa,
Navego sobre os mares, cada tensa
Manhã debruça o medo sobre a mata
E a face da esperança mais ingrata
Na ausência da esperança não compensa,
Apresentando o passo rumo ao quanto
Pedisse e a cada engodo não garanto
Mesquinharias ditam o futuro
O corpo da esperança agora nu
Meu mundo se desdenha e sem guru
Apenas o vazio eu asseguro.

19412

Vontade me domina, reticente
E o cântico pudesse ser diverso
Ainda quando aquém do mundo eu verso
O todo no final já se apresente,
Amordaçando o sonho plenamente
Apenas redimindo este universo
Caminho tantas vezes mais perverso
Rondando o que se fora em leda mente,
Já não comportaria qualquer chance
E mesmo quando o passo teima e alcance
O fim da velha estrada em luz sombria,
A morte em consonância dita o quase
E o prazo mesmo quando a vida atrase
Somente outro momento moldaria.


19413

De ter entre meus braços, laço forte
Unindo estes caminhos entre nós,
O tempo se desenha mais veloz
E nisto uma esperança nos aporte,
E sei do que pudesse e me conforte
Gestando do passado a nova foz,
O rústico cenário nosso algoz
Já não resume mais o velho corte,
Ainda que pudesse serviçal
O canto não teria outro sinal
Senão a mesma face: ingratidão.
Meus olhos já cansados, na harmonia
Do tempo que pudesse e ora se esfria
Marcando com terror todo o verão.

19414

Teu seio no formato delicado
Em róseas maravilhas desenhado,
Ainda quando posso e cedo sinto
A vida se moldando em tal instinto
Caminho pelo sonho desejado
E o todo se traduz enquanto invado
O tanto mais audaz, onde me tinto
E bebo a sensação de raro gozo
E mesmo o tempo sendo caprichoso
Não deixa qualquer medo pra depois
E sinto o meu caminho junto ao teu
Aonde o meu sonhar te mereceu
Unindo para sempre então nós dois.

19415

Na boca maravilha em carmesim
O gosto deste sonho entrelaçado
O rumo há tanto tempo desenhado
Meu mundo se desvenda dentro em mim
O canto se aproxima e dita enfim
Além do meu caminho desejado
E nisto quando fujo ou mesmo evado
A sorte se transforma sempre assim,
Não quero mais sentir o medo em nós
E o corte se aproxima mais feroz
Tocando na medula do meu sonho,
E o cântico pudesse ser diverso,
Mas sei do quanto inútil seja o verso
Aonde oi meu caminho eu decomponho.

19416

A febre me tocando vorazmente
E o prazo de viver já se extermina
Aonde no passado houvera a mina
Agora nada resta no presente
Ainda que outro sonho mesmo eu tente
A porta na verdade não se inclina
E o todo com terror tanto alucina
Matando o que pudesse plenamente,
Ausento dos teus sonhos, sigo alheio
E quando a solidão tento e rodeio
Apresentando o passo sem limites
Deveras nada mais tu me trarias
Somente as mesmas noites bem mais frias
Enquanto esta emoção não mais permites.

19417

Querer-te toda minha e ter após
O todo desenhando em luz sublime
Ainda quando possa e mesmo estime
O rumo se desvenda em nossos nós
O tempo se desfaz em nova foz
E a solidão deveras não redime
A sorte se presume e sempre prime
Por ter dentro do peito a mesma voz,
Cerzindo esta esperança mais sutil
O amor quando demais já nada viu
Sequer o que pudera ser diverso,
E quando mergulhara nos teus braços
Os dias mais felizes ou devassos
Traduzo na pureza deste verso.

19418

Sorris e nisto excitas cada sonho
E vejo a solidão já se ausentando
O tempo no passado fora brando
E agora se desenha mais tristonho,
E quando um novo rumo em vão componho
O peso com certeza me traçando
O rústico cenário mais infando,
E o manto se desenha mais medonho,
Escassas noites dizem do futuro
E o passo noutro canto eu asseguro
Gerando tão somente novo estio,
Ainda que pudesse uma invernada
A sorte dos meus olhos já se evada
E o sonho se tornara um desafio.

19419

Sussurro meus desejos, mas eu sei
Que nunca me ouvirás e mesmo assim
Buscando o quanto resta vivo em mim
Invado sem sentir a velha grei
E o todo quando muito eu esperei
Verdades são diversas de onde eu vim
Acendo da esperança este estopim
E o rumo com certeza esquecerei.
Repare cada engodo costumeiro
E saiba do que possa se me inteiro
Ousando noutro rastro aonde um dia
A vinda da esperança não trouxera
Sequer o que incerteza dita a fera
E mata o que pudesse e não viria.

19420

Tremores e ternuras são venais
E nisto cada engano se traduz
Aonde poderia em contra luz
Vencer estes momentos ancestrais
Restando dentro em pouco o quanto mais
Tocado pela sorte em leda cruz
O manto se desnuda e não produz
Além dos dias mortos e banais.
Esculturando a lua a cada sonho
E quando em descaminho recomponho
Meu canto sem destino nem guarida
A porta dos meus sonhos não promete
Sequer o quanto pude e já reflete
A ausência mais constante desta vida.

19421

Olhar de uma menina sem juízo
Vagando pela noite não sossega
E a sorte se mostrando sempre cega
O tempo noutro tempo não matizo
E vejo o meu caminho e quando aviso
A morte sorrateira já se apega
E trama com terror o que se esfrega
Gerando dentro da alma o prejuízo,
Esqueço o quanto pude e nada tendo
Sequer o meu caminho em tal adendo
Gravando em cicatriz teu nome em mim,
Depois de certo tempo nada vindo
O quanto poderia haver infindo
Já não presume a flor sequer jardim.

19422

Na chama em que me sinto em labaredas
Ainda em tais momentos fogo e brasa
A vida a cada passo se defasa
E nisto noutro engodo não concedas
As horas entre tantas seguem ledas
E as mortes da esperança, tudo atrasa
O corte na verdade não embasa
Nem deixa que se vejam tais veredas,
Assumo os desenganos e presumo
O todo que pudera neste sumo
Vertido em tempestade ou coisa assim,
Repare cada estrela e veja bem
O amor quando decerto nada tem
Explode como fosse este estopim.


19423

Amando sem parar sequer pensava
Nas ânsias costumeiras de quem sonha
A vida se mostrasse mais bisonha
E o tempo se desdenha em leda lava,
A sorte aproximada, velha escrava
A porta na verdade não se oponha
Ao todo que decerto não mais ponha
Cerzindo esta esperança, mesmo escrava.
Ao apressar o passo nada tive
Sequer o quanto possa e não se prive
Do rumo mais audaz e mesmo rude,
Marcantes emoções, momentos vários
E os dias são tormentos solitários
E neles todo o canto desilude.

19424

Quero a totalidade deste encanto
Marcando com ternura o simples fato
Que a cada novo instante ora constato
E disto com certeza eu me garanto,
Jamais imaginara qualquer pranto
Nem mesmo do vazio este retrato
Pousando na esperança não resgato
Apenas tão somente o desencanto,
Esqueço a plenitude e navego
O todo desdenhado no meu ego
E sinto o vento manso de um futuro
Que tanto poderia ser diverso
E quando nos teus braços teimo e verso
Somente esta semente eu asseguro.

19425

Que é feito em harmonia verso e sonho
A sombra do passado não consegue
Vencer o que deveras mais sossegue
Pousando no caminho onde me ponho,
Reparo com ternura o mais risonho
Cenário aonde o mundo já prossegue
E traça o quanto resta e sempre regue
Meu mundo com teu canto onde o proponho.
Escassas noites dizem solidão,
As horas se adiantam e verão
O sol ao repousar neste horizonte
Marcando com seu brilho a minha história
Tramando o quanto trago na memória
E o mundo noutro encanto sempre aponte.

19426

Bebendo cada gole do prazer
Rocio desejado e mais sublime
Ainda quando o todo nos redime
O mundo se permite enlouquecer
Vagando sem sentido posso ver
O todo quanto mais quero e aproxime
A vida de um momento aonde estime
O manto consagrado do querer,
Espero cada passo e bebo assim
O tanto quanto habita dentro em mim
Alvoroçando o peito de quem ama,
Cenários tão diversos, noite afora
Meu canto em tua voz eu sinto aflora
E o tempo se desenha: imensa chama!

19427

Que emana de teu corpo em luz imensa
A sorte mais audaz, e nisto eu pude
Vencer o quanto fora em plenitude
A vida aonde o medo não convença
Do todo se presume a noite tensa
E o corte se mostrara onde amiúde
O tempo mataria a juventude
Não dando nem o sonho em recompensa
Restaurações diversas, noite branda
Apenas o caminho já desanda
E traz esta certeza: ser feliz,
Ainda quando tente adivinhar
A lua se derrama devagar
E o canto traduzindo o quanto eu quis.

19428

Teu jeito tão sereno me conquista
E traça novo rumo ao qual entranho
E o mundo que pudera ser estranho
Agora toma em paz toda esta vista
Meu canto noutro passo toma a pista
E vejo a cada dia um novo ganho,
Mergulho sem defesas e barganho
A luta que pudera e não resista,
Vestindo a solidão de quem buscava
A sorte no vazio ou mesmo em lava,
Aprendo com meus erros e sei disto,
Depois de cada passo em vão, prossigo
Alçando dentro da alma algum abrigo
E sei que com firmeza não desisto.

19429

Permite que eu vislumbre um novo sol
Aonde no passado nada havia
Somente esta semente, fantasia
Tomando com certeza este arrebol,
Não posso desenhar qualquer farol
Nem mesmo o quanto pude ou poderia
Ousando com ternura em alegria
Recebo da esperança o vento em prol,
Escrevo então a carta em despedida
E o todo se perdendo em nova vida
Gerando do vazio outro momento
Ainda que pudesse imaginar
A vida sem teu corpo e sem luar,
Decerto a amarga ausência eu não aguento.

19430

Risonha e divinal a noite desce
E toma este cenário mais perfeito
Ao lado de quem amo e quero deito
E a vida neste instante um sonho tece
Ainda que pudesse noutra prece
O risco de sonhar onde deleito
Meu mundo na verdade satisfeito
Grassando o quanto posso e não se esquece,
Respaldos deste enorme sentimento
E quantas vezes busco e mesmo invento
Após a tempestade um manso porto,
Apenas nos teus braços poderia
Em noite mais amarga e mais sombria
Saber que existe ao menos tal conforto.


19431

Amanhecer em paz e perceber
O quanto é necessário ser feliz
Ousando muito além do quanto eu quis
Vivendo tantas formas de querer,
Repouso no teu corpo o meu prazer
E quero novamente, o mesmo bis
Ainda que pudesse, o nada diz
Do tempo mais distante a se perder;
Jazendo na esperança um tempo além
O amor quando demais deveras vem,
E toma com firmeza cada passo,
Depois de certo tempo solitário
Agora neste encanto solidário
Meu mundo com firmeza e glória eu traço.


19432

Falemos bem baixinho em noite mansa
A vida não presume discussões
E quando na verdade tu te expões
Meu mundo no teu sonho agora avança
A sorte permitindo esta aliança
Deixando para trás as decepções
Ainda quando visse as direções
Diversas deste sonho onde se lança
Cantiga de um amor inigualável
O tempo mais sincero enquanto afável
O risco se deixando no passado,
E quando te aproximas do meu canto
O todo desenhado eu agiganto
E feito em alegria, o sonho eu brado.

19433

Que são somente nossos os caminhos
Eu sei e não me calo e até prossigo
Ousando a cada passo no perigo
Dos ermos mais atrozes e daninhos
Ainda que pudessem ver espinhos
A sorte na verdade em desabrigo
Trancando o coração quando persigo
Os dias mais felizes novos ninhos.
Acrescentando ao sonho esta palavra
Minha alma com ternura tenta e lavra
Apenas a verdade e nada mais,
Dos sonhos mais audazes, primavera
A vida com firmeza se tempera
E gera nos meus olhos os florais.

19434



Que toma os meus sentidos não discuto
O sonho se aproxima em perfeição
E sei dos dias claros que virão
Ousando num momento mais astuto,
E quando neste nada não reluto
E bebo a cada instante esta estação
Resumo nos meus olhos desde então
O quanto poderia e assim recruto,
Acordo o coração que é vagabundo
Das ânsias e prazeres se me inundo
Arcando com ternura já sem par,
Pudesse noutra face ver além
Do quanto na verdade me convém
Bebendo o que se deixa adivinhar.


19435

Que encharque nossos lábios o desejo
E torne tua boca carmesim,
O canto se adivinha dentro em mim
E nisto a cada passo mais revejo
A sorte sem temor, novo azulejo
Risonho caminheiro dita enfim
O todo que pudesse e mesmo assim
Ainda quando muito amor prevejo.
Esqueço dos meus erros e prossigo
Vencendo o meu temor em desabrigo
Restando dentro da alma esta certeza
De um dia mais feliz ou mesmo até
Vivendo este caminho feito em fé
Seguindo contra a forte correnteza.

19436

O amor que a noite inteira se procura
Gerado pelos sonhos, nada mais
Expressa dias fartos desiguais
E nisto a minha morte configura
A sorte na verdade em tal moldura
Traçando mundos vários, germinais
Ainda que pudesse no teu cais
O canto se aproxima e não tortura,
Vestígios de um passado mais atroz
E nada persistindo dentro em nós
Somente o mesmo enfado e o medo quando
O tanto quanto pude não tivera
Sequer a solidão, esta pantera
Que aos pouco vejo ali já me rondando.

19437

Diversos sentimentos: medo e gozo
Caminhos variados, mas sei bem
Do quanto a cada dia não convém
A quem se poderia majestoso,
Ainda quando vejo este orgulhoso
Cenário aonde o medo não mais vem
E o passo noutro rumo segue aquém
Do manto tantas vezes caprichoso,
Espero algum alento e nada veio,
Olhando para trás seguindo o veio
Esbarro no afluente e quero a foz,
Depois de tantos anos, nada resta
Senão a mesma imagem tão funesta
Resumo do que vejo logo após.

19438

Mostrando em tal relevo o quanto pude
Arcando com meus erros costumeiros
E sei dos dias frágeis, dos canteiros
E nisto sou deveras bem mais rude
A sorte se propondo em atitude
O corte noutros dias corriqueiros
E os versos que proclamo, derradeiros
Ainda quando o tempo não me ajude,
Escassas noites dizem do passado
E o vento noutro tom anunciado
Mergulho nos teus braços, poesia
E a luta recomeça ao mesmo instante
E sei do quanto possa e se garante
A vida aonde o todo reinaria.

19439

Tuas lágrimas, querida, já não são
Sequer os meus momentos mais doridos
E os dias entre tantos esquecidos
A sorte não seria mais unção,
Palavra se perdendo sempre em vão
Ainda se presumem nas libidos
Os tempos mais audazes, consumidos
Nos ermos deste tolo coração,
Escândalos diversos, noite vaga
E o todo com certeza não afaga
Quem tenta proteção e nada veio,
Acordo quando estás noutro caminho
E sei do quanto é rude estar sozinho,
Entregue ao mais temido devaneio.

19440

São sempre diferentes; mesmo assim
Escaldo meu caminho no teu rumo
E bebo da esperança todo o sumo
Matando pouco a pouco o meu jardim,
Constróis cada momento em não e sim
E o parto se transforma no resumo
De quem não mais pudesse e me acostumo
Ao todo desenhado dentro em mim.
Apresentar escusas e seguir
Vencendo o que deveras há de vir
Sem medos ou sequer algum receio,
Produzo cada verso como fosse
Um sonho tantas vezes agridoce
E dele em todo engodo eu me rodeio.



19441

A cada nova queda outro momento
Diverso do que outrora poderia
Ainda quando a noite é mais sombria
O tempo noutro todo ainda alento,
Esbarro o meu caminho e neste vento
A sorte com firmeza não veria
Cerzindo com ternura o dia a dia
Encontro cada verso mais atento,
Escalas entre tantas noites vãs
Ainda que pudessem nas manhãs
Resumos de desejos mais felizes,
E nada do que eu trago se aproxima
Do mundo emoldurando cada clima
E nele nunca os sonhos; contradizes.

19442

Tua vitória causa a tempestade
Que tanto me redime e me apavora
Aonde se pudesse sem demora
O passo noutro rumo não evade,
A sorte desejada agora invade
E toma já de assalto enquanto aflora
Marcando o que deveras me decora
Com toda e imensa luz e claridade,
Luzindo dentro em nós a sorte imensa
E neste caminhar tanto convença
Quem sabe desvendar cada segredo,
E ao máximo presume esta vitória
Deixando para trás, o medo, escória
E nele cada passo eu não concedo.

19443

A glória que se mostra a cada passo
Transforma a juventude num momento
E quantas vezes busco ou mesmo invento
O risco sem saber do quanto eu traço,
O pranto que se faz a cada espaço
O dia se transforma e bebo o vento
E nisto quanto mais ainda aguento
O tempo não se rende ao teu cansaço,
Espreitas entre quedas e não mais
Encontro em meus jardins raros florais
E vejo em tuas mãos a liberdade,
Assim o meu caminho não se algema
E venço com certeza qualquer tema
Ainda quando a dor adentra e invade.


19444

Da dor que tu carregas desde quando
O mundo se fizera mais atroz
Já nada ditaria a nossa voz
Nem mesmo este caminho se moldando
Nas ânsias mais comuns, e torturando
Quem tanto desejara em mais veloz
Desenho o que pudera ser após
O tempo mais audaz e mesmo infando,
Arcar com os enganos e seguir
Vencendo as tempestades do porvir
E nisto se adivinha cada passo,
Ainda que pudera ser diverso
O mundo aonde tento, teimo e verso
Expressa a solidão e nada faço.

19445

Mas ando lado a lado com meu sonho
E vendo cada luz onde queria
Marcando com ternura a fantasia
O tempo se mostrando mais risonho,
Ainda quando possa e nisto enfronho
Meu passo muito além da alegoria
Gestando tão somente a poesia
Num ato tanto audaz que me proponho,
Acolho cada riso e vejo além
O tanto quanto possa e sei que vem
Domínios entre sonho e claridade,
Ao menos nada resta senão isto
E o canto aonde em paz procuro e insisto
Traduz o meu anseio da verdade.

19446

Não posso mais de ti saber sequer
A sorte desenhada no passado
E quando inutilmente ainda brado
O mundo não traz tudo o que puder
Esta ânsia tão comum, bela mulher
O manto noutro canto desenhado
E o vértice dos sonhos desejado
Não deixa para trás o que vier,
Vasculho nas gavetas da esperança
E sei do quanto a vida agora avança
Marcando com consonância sol e vento,
Ainda quando pude e não vieste
Tornando a minha sorte mais agreste
Moldando o que deveras teimo e invento.


19447

Se precisar, talvez já não me veja
A senda desenhada diz futuro
E quantas vezes tento e me asseguro
Da sorte mais audaz e benfazeja,
Ainda que se entregue de bandeja
O passo neste caos atroz e escuro,
A fome desdenhosa não procuro
E o tempo noutra lua já veleja,
Acordo com o sol em pleno rosto
O mundo se desnuda e estando exposto
Presume o que talvez ainda venha
Vestindo a fantasia que aprouver
O todo não traduz um tom qualquer
Fornalha sonegando a velha lenha.

19448

Comigo pode sempre, quem se dera
Acasos entre casos e mentiras
E quando esta esperança tu retiras
Matando a fantasia, imensa fera,
A sorte desejada destempera
E o corte se aproxima em várias tiras
Do todo desenhado não prefiras
Sequer o que pudesse em primavera,
A morte não se cansa de seguir
E tendo nos meus olhos o elixir
Que tanto procurara a vida inteira,
A música se espalha pelos céus
Estrelas se escondendo atrás dos véus
Palavra que anuncio, derradeira.


19449

Já tive meus momentos e não nego
O tempo se aproxima do final
E o corte desenhado desigual
Ainda me permite quase cego
Vencer o que deveras mais entrego
E sinto a minha estrela terminal,
Aonde desejara germinal
O corte se profana matando o ego,
Esgarça cada passo num finito
Momento enquanto em nada eu acredito
Vislumbro a tempestade no horizonte
E bebo do caminho em sortilégio
Amor já não seria um privilégio
E nele cada sol inda desponte.

19450

Por isso eu te darei o verso nobre
E o tempo mais audaz que ainda veja
E quanto mais a sorte a vida almeja
O sonho com ternura se recobre,
Depois de certo tempo já descobre
O todo nesta angústia mais andeja
E quando a lua deita sertaneja
A bruma sem sentido sempre a encobre
E o cântico em louvor ao claro sol
Tomando desde então este arrebol
Iluminando o céu em claros tons,
E os dias renascendo em esperança
Enquanto a vida além teimando alcança
E espalha pela Terra belos sons.

51

Eu sinto que estás triste e mesmo assim
Já não comportaria a eternidade
No quanto cada passo não agrade
Quem tanto desenhara este jardim,
O manto se aproxima e dita o fim
A vida não teria a qualidade
E nisto se moldando a realidade
Expresso o quanto morto vive em mim,
Escapo em armadilhas mais sutis
E sei do muito quando o nada quis
Vestindo esta emoção embora frágil,
O verso se mostrara sem valor
E o tempo se traduz noutro rancor
Embora seja a vida bem mais ágil.

52

Também sinto a amargura de quem sonha
E sabe a derrocada que virá
O mundo se transforma e desde já
A sorte não pudesse ser medonha,
Ainda quando muito em paz se oponha
O corte que nem sempre moldará
O passo com firmeza se dará
E nisto a minha sorte em paz se enfronha;
Repare cada estrela e veja bem
O quanto deste encanto nos convém
Vencendo os meus rancores e sem medo
Apenas outro passo procurava
A senda se presume e sem a lava
Meu mundo não seria atroz ou ledo.

53

Às vezes este amor não mais condiz
Com toda esta esperança que busquei
Ousando na verdade noutra lei
O coração se faz um aprendiz,
O peso do passado não mais quis
E o corte desenhando a velha grei
E nisto cada encanto desdenhei
Traçando a solidão, ser infeliz.
Não pude conviver com meu passado
E quando me aproximo e sempre evado
O tempo não repara cada engano,
Ainda quando muito sigo só
E amor se desenhando em medo e pó
Enquanto solitário enfim me dano.

54

E quebra num segundo tais cristais
Aonde eu imagino a sorte imensa
A vida na verdade não compensa
E os ermos são deveras o que trais
Meu canto por momentos desiguais
Invade a sorte e tenta a recompensa
A morte no final deixando tensa
Palavra entre incertezas tantas, tais.
Escassamente vejo alguma luz
E o nada na verdade reproduz
O quanto poderia e não veio,
Açoda-me saber a direção
Dos dias mais atrozes que virão
Marcando com terror o devaneio.

55

O vento da saudade dita o rumo
Dos pensamentos meus e nada vindo
Somente o que desejo nunca infindo
E neste delirar nada resumo,
Apenas o que possa diz do sumo
E nisto cada passo se esvaindo
Marcando com terror o quanto é lindo
O verso aonde o sonho eu não presumo.
Aprendo com meus erros, e sei disto
Também a cada passo onde persisto
Resisto aos vendavais tão costumeiros
E sei dos meus momentos mais audazes
E neles outros tantos que me trazes
Alimentando em nós velhos braseiros.

56

Depois de certo tempo nada veio
E o corte se aprofunda dentro da alma
Apenas a verdade não acalma
E o mundo se presume mais alheio,
Ainda quando pude noutro fato
Cerzindo da esperança alguma luz
O medo com certeza reproduz
O quanto noutro enfado mal retrato,
Escassas noites dizem do prazer
E o manto se puindo a cada dia
No todo aonde o mundo poderia
Jamais imaginando amanhecer,
Mortalhas representam nossa voz
E o rio se deságua em leda foz.

57

Na tempestade imensa nada resta
Sequer a lua em volta do planeta
E quando o meu caminho se arremeta
Aquém do que pudesse em tal floresta
A morte se desenha em cada fresta
E o todo não traduz novo cometa,
Ainda quando a glória se prometa
Já não mais caberia qualquer festa,
Restaurações diversas, mesmo engodo,
Apenas vejo além o imenso lodo
E o cais se transformando aonde estimo,
Esbarro nos meus erros e prossigo
Vestindo com terror o desabrigo
Encontro a cada passo o velho limo.


58

E tudo, num segundo poderia
Ousar além do medo e reticência
A vida não produz coincidência
Nem mesmo novo sonho em alegria
Arcando com meu canto ema utopia
A sorte não concebe a penitência
E o tanto quanto quero em indulgência
Marcando com angústia a poesia,
Falésias entre rocas e procelas
Ainda mais distante tu revelas
Ocasos em momentos mais sofridos,
E sinto os dias mortos, plenamente
E mesmo que outro rumo busque e tente
Os olhos seguem turvos e perdidos.


59

No teu jardim percebo esta florada
E sinto o quanto eu possa acreditar
Na senda mais audaz a se mostrar
E nela desenhar outra alvorada
A sorte na verdade não degrada
O tempo que desejo em teu luar
A manta se mostrara devagar
E dita a minha vida já cansada,
A luta não permite esta emoção
Nem mesmo sei dos dias que virão
Ou mesmo do passado mais atroz,
Cantiga de viúvo, noite vaga
Abrindo no meu peito a imensa chaga
Calando da esperança qualquer voz.

19460

Depois que terminamos sonhos vãos
E os ermos mais audazes perfilamos
Os dias entre frondes, galhos ramos
Negando com certeza novos grãos,
Os sonhos que prometam aos irmãos
Os olhos mais felizes encontramos
Resumos de momentos onde entramos
Sabendo o que traduz sermos cristãos,
Escalo as cordilheiras da esperança
E quando o meu caminho a ti se lança
Viceja dentro da alma esta alegria,
Podendo ser assim o tempo inteiro
Meu canto se desenha verdadeiro
E trago todo o encanto que eu queria.


61

Quem sabe no futuro eu possa ver
O tempo aonde o mundo poderia
Vencer a tempestade mais sombria
Trazendo o mais suave a amanhecer
O quanto deste mundo diz prazer
E a sorte na verdade não viria
Marcando com terror a fantasia
Deixando para trás o quanto crer,
Ausento dos teus olhos sigo alheio
Ao quanto poderia e mais rodeio
Vestindo esta quimera, uma ilusão
E os dias noutros tantos me trarão
Apenas o que vejo em devaneio
Matando no princípio este verão.

62

Demonstre o renascer de cada sonho
Aonde o meu momento não traria
Sequer o quanto possa em fantasia
Nem mesmo se deveras eu proponho
Um rumo diferente e mais risonho,
Vagando pelas sendas da utopia
E tanto quanto possa não viria
A sorte enquanto o verso não componho,
Aprendo com meus erros, disto eu sei
E sinto derrocada em velha grei
Amortalhando o mundo num instante
Depositando o passo no vazio
Apenas o meu mundo desafio
E nada após o pouco se garante.


63

Também em solidão meu mundo dita
A sorte que pudera e não veio
Ainda quando tento e sigo alheio
Palavra na verdade não permita
O quanto do passado traz na grita
A senda aonde o verbo não rodeio
E o passo noutro encanto mais anseio
Vestindo esta emoção, sem a desdita,
Repare cada estrela e veja bem
O mundo quando muito me contém
Tramando a melhor sorte dentre as quais
Os olhos no horizonte são sutis
Apenas o meu mundo contradiz
Os ritos que pudesse, mais banais.

64

Olhares mais diversos trazem luzes
E neste caminhar o tempo passa
Enquanto a vida adentra a praça
E os dias mais felizes reproduzes
Aonde na verdade me conduzes
O todo pouco a pouco se esfumaça
Marcando o quanto traça
Ousando além das ledas cruzes,
Espero tão somente um novo dia
E todo o caminhar já se faria
Matando o que pudera ser alheio
Ao passo mais feroz ou mesmo rude
Ainda meu cenário desilude
E nisto a cada engodo eu devaneio.

65

Descendo pela rua a cada engano
Espero tão somente esta verdade
E o tempo sem ter prazo desagrade
Ainda quando aquém eu me profano,
Esqueço da emoção e neste plano
O rumo se apresenta e já degrade
Deixando no passado a liberdade
E o canto se transforma em desengano,
Ocasos entre quedas e somente
O passo noutro tanto se apresente
Marcando com terror a rude cena
E o nada mais audaz pudesse ver
Assim ao me entranhar no amanhecer
A lida plenamente me condena.

66

Sequiosos, na verdade deste sol
Que um dia poderia ser ligeiro
Aonde o meu caminho diz luzeiro
Toando qualquer som neste arrebol,
A morte desenhada no farol,
A paz de um temporal, o derradeiro
O corte se aproxima por inteiro
E o vasto delirar trama o lençol
Ausento dos meus sonhos e me entrego
E sei do quanto pude num nó cego
Vestir esta clemência e nada vinha,
O cântico em louvor já não me traz
Sequer o quanto pude crer em paz
Na sorte tantas vezes mais mesquinha.


67

No amor insanamente mergulhado
Apenas procurando qualquer brilho
Aonde sem certeza busco e trilho
O sonho se aproxima do passado,
Ainda quando tento ou mesmo invado
O velho coração este andarilho
No todo presumido em estribilho
Cerzindo com ternura o devassado,
Assisto ao meu tormento e busco a fé
Amor tão simplesmente por quem é
Espera muito mais do que oferece
E o todo se transforma num repente
A morte da esperança se pressente
E nisto se perdendo qualquer messe.

68

Embora em cada passo não previsse
O caos que se aproxima do final,
O corte tantas vezes desigual
Repõe a cada passo esta mesmice
O velho coração, tanta tolice
O passo se desenha em turva nau
O canto na verdade não se visse
Nem mesmo se quisesse algum sinal
O cântico gerado do vazio
E o tempo aonde em vão eu desafio
O rústico cenário em desencanto,
Amar e ser feliz? Mera ilusão
Os dias na verdade não verão
O quanto mais desejo e não garanto.

69

O fogo da paixão já não sustenta
O olhar mais delicado de quem sonha
E o todo quando a vida é mais risonha
Afasta para sempre esta tormenta
E o passo noutro rumo se apresenta
O canto se transforma em voz medonha
E quanto mais o todo se envergonha
Da vida sem razão que se aparenta
Esqueço dos meus versos e prossigo
Ousando acreditar nalgum perigo
Apoios variados, noite afora,
E o fardo se divide quando creio
No tanto quanto possa em devaneio
E a solidão decerto me apavora.


70

Mergulho em plena noite a solidão
E bebo o temporal, velha procela
O quanto da verdade se revela
Mostrando os dias tantos que virão
Pousando no teu solo, em ledo chão
Meu barco já não tendo cais ou vela
O corte se aproxima e dita a cela
Imenso calabouço: imprecisão,
Acordo e te procuro e nada veio
Apenas o momento mais alheio
Enveredando o passo sem sentido,
O canto em desalento, o desafeto
Amor aonde tanto eu me completo
Presume o meu futuro desvalido.

71

Atravessando os ermos de meu sonho
Adentro os mais diversos temporais
E quando desejava muito mais
Apenas o vazio inda componho
E o tempo que pudera ser risonho
Transcorre em tais momentos tão venais
E teimo contra a fúria e dos sinais
Somente enfrento os ditos enfadonhos.
Ausente do passado, sem futuro
Enquanto este não ser eu asseguro
Esbarro nos meus erros costumeiros
E sinto sem valor qualquer momento
Aonde o que pudera teimo e tento,
Tentando em noite escura meus luzeiros.

72

Na busca sem ter fim por algum porto
Ainda que naufrágio se apresente
O coração deveras não alente
O sonho sem destino e quase morto,
Apenas tão somente o desconforto
De um dia muitas vezes penitente,
Amar já não seria pertinente
Nem mesmo qualquer sombra deste aborto,
Escárnios são comuns, e disto eu sei,
Aonde poderia em velha grei
Usar destas palavras mais sutis,
E o vento sem saber da direção
Traçando a cada engodo um furacão
Matando o que deveras sempre quis.

73

Quantas vezes, sentindo o vento frio
Tocando cada pêlo, noite afora,
E o medo tão somente ainda ancora
Enquanto o meu caminho em vão desfio,
Esbarro neste engodo e desafio
O passo sem saber desta demora,
Ainda quando a sorte me apavora
Descendo sem defesas pelo rio,
Alcanço o mar imenso deste amor
E sinto que deveras onde eu for
Apresentando o sonho e nada além,
Meu canto se concentra na esperança
E a vida noutro rumo já se lança
Traçando o quanto quero e nunca vem.

74

Apenas com teu nome na memória
O sonho se transforma plenamente
E quanto mais decerto a gente tente
A vida se transporta noutra história
Ousando muitas vezes, merencória
A sorte que julgasse pertinente
Transcorre sem sentido e quando alente
Não deixa qualquer traço de vitória,
Escalo os meus anseios e prossigo
Vencido pelo medo e em tal perigo
Há muito o que sonhar, nada a fazer.
Aprendo com as quedas costumeiras
Bem antes que talvez ainda queiras
O mundo mais distante eu passo a ver.

19475

Nos vergéis e nas sendas mais agrestes
No estio, na invernada ou mesmo quando
O céu em tempestades desabando
Com tantas alegrias me revestes,
Aprendo o quanto posso e mais investes
No todo e no raro desenhando
O mundo que pudesse ser mais brando,
As sortes envolvendo como vestes,
E os dias não repetem desenganos
Moldando passos tristes e profanos
Marcando com tempestas minha sorte,
Depois de certo tempo nada havendo,
Apenas o retalho, este remendo
Que nada mais permite nem comporte.

76

Sabia que podia ter no olhar
O brilho do horizonte ensolarado,
Além do quanto vira em meu sobrado
Tentando novamente flutuar
Chegando à tua casa e a divagar
Ousando a cada dia este traçado,
Enquanto cada cômodo eu invado
Teu corpo com beleza a desnudar,
Jogado pelos cantos, desalento
Um novo amanhecer risonho eu tento
Translado de momentos mais diversos
E sinto o teu perfume, doce aroma
Sentido sem limites já me doma
E reina sem defesa sobre os versos.

77

De resto, essas tristezas contumazes
Já não me bastariam, sendo assim
O quanto se aproxima e dita o fim
Expressa a solidão que agora trazes,
A vida se renova em novas fases
O olhar se perde além e sei que enfim
O todo se esvaindo já de mim,
Palavras com certeza mais audazes.
E ao fim de certo tempo nada resta
Sequer o que pudesse trazer festa
A quem se fez presente e nada leva,
A sorte desdenhando cada passo,
Apenas no vazio eu me desfaço
E bebo a solidão, inútil treva.


78

Num momento, queriam tão somente
Ousar cada palavra mais sutil
E o tempo quando muito não mais viu
O quanto poderia e não tente,
Ainda que se teime na corrente
Grilhões dizem de um mundo bem mais vil
E o tempo se mostrando incontinente
Rastreio cada passo em noite clara
E o verso mais feliz hoje declara
Amor que na verdade fora meu
O rústico cenário de um passado
Aos poucos noutro tom rememorado
Há muito sem sentido se perdeu.


79

O canto que tentara e não pudera
Ousando com palavras mais sutis
Tentando ter o quanto bem mais quis
Matando o que restasse da quimera,
A vida na verdade não espera
E sabe do caminho e pede bis,
Ainda que pudesse ser feliz
Ao fim de certo tempo é primavera,
E o vento do passado, a gelidez
Aonde na verdade não mais vês
Sequer a menor sombra dolorosa,
Expressa em tantas cores maravilhas
E sei de cada aroma que polvilhas
Tomando o meu jardim em lírio e rosa

19480

Encanto divinal
Pudesse ainda ver
Após o sempre igual
Dorido amanhecer
A vida em ritual
Sonega algum prazer
E o tempo germinal
Impede de nascer
O sonho mais atroz
E o canto mais feliz
Já não se vendo após
Aquilo que bem quis
O rio perde a foz
E segue por um triz.

19481


Outro verso de amor,
Inútil fantasia
Ainda não veria
O tempo em nova cor,
Aonde quer que for
Domando esta alegria
O todo não viria
Se fosse redentor.
Arcar com cada verso
E nisto estar disperso
Ousando no finito
Mergulho neste laço
E sei do quanto passo
E mesmo quando grito.

82

A vida parecendo
O quanto não viera
Marcando esta quimera
Qual fosse algum remendo
E quando em dividendo
O tempo dita espera
Amor já não tempera
Nem mesmo se envolvendo
Nos medos e nas tramas
Enquanto tu reclamas
A sorte não mais pousa,
E o canto sem sentido
Aonde fosse ouvido
Decerto em vão repousa.

83

Achando tão somente
Quem pôde acreditar
Nas ânsias do luar
E a vida sempre mente,
No quanto a paz eu tente
Esqueço algum lugar
E bebo a navegar
O mar que se apresente,
Tormentas costumeiras
E quanto mais não queiras
Queria pelo menos
Viver esta incerteza
Levado em correnteza
Por sonhos mais amenos.

84

A rosa me salvou
Embora em seus espinhos
Os dias mais daninhos
Por onde sempre eu vou
Ainda quando estou
Em vários descaminhos
Buscando velhos ninhos,
Mas nada mais restou.
Somente o medo e o caos
A sorte em tantos graus
Gerada por consenso
De cantos, melodias
E nada mais trarias
Enquanto em nada eu penso.

85

Não falo deste amor
Nem mesmo o poderia
Na vida sempre fria
Na sorte sem louvor
Aonde quer a flor
Já nada mais teria
Sequer a fantasia,
Talvez morto o calor,
Expresso em verso e luz
Ao tanto em que conduz
Meu passo sem destino,
Aos olhos do infinito
Ainda se acredito
No fundo desatino.

86

Ao menos os seus restos
Coleto quando sigo
E trago ora comigo
Momentos mais funestos,
Os dias entre gestos
O cais em desabrigo
O sonho que persigo
Caminhos desonestos.
Aprendo pouco a pouco
E sei que me treslouco
Na busca solitária
Por quem já não viria
Nem mesmo em fantasia
Na sorte imaginária.

87

Não deixo um sentimento
Moldar desesperança
E quando a vida avança
E o sonho quero e invento
Tocando o pensamento
A sorte em confiança
Traduz nova mudança
Ou mesmo o velho vento,
Aceno com futuro
E quando me procuro
Não vejo mais o rastro
E sendo de tal forma
O encanto que deforma
No mar imenso alastro.

88

Nem pontas que sobraram
Nem medos costumeiros
Os dias não moldaram
As flores nem canteiros
Os sonhos cultivaram
Momentos derradeiros
E nestes se entregaram
Aquém tantos luzeiros,
Aprendo com a queda
A sorte se envereda
Pousando noutro rumo,
E desta noite vaga
A lua então se apaga
E o canto em dor resumo…

89

Não falo deste caso
Nem mesmo poderia
Ousar neste descaso
Diversa alegoria
E o passo quando atraso
Escassa fantasia
O risco diz ocaso
E a sorte eu não veria,
Apenas derrocada
E desta vida brada
Cenário sem sucesso,
E quando mais pudesse
Teimando além da prece
O sonho eu recomeço.

19490

Embora triste fato
Traduza a solidão
Os dias que virão
E neles eu constato
A seca em tal regato
O medo em profusão
O passo dita o não
E o corte onde maltrato
Esqueço cada verso
E quando desconverso
Ousando na palavra
Que tanto poderia
Traçar em poesia
A sorte, nossa lavra.

91

Ouvir do coração a voz cansada
Depois de tanto tempo em dura espera
O quanto desta vida destempera
Deixando para trás uma alvorada,
Ainda quando o sonho não se evada
Nem mate com o inverno a primavera
A sorte noutro enfado degenera
E após o tanto ter não sobra nada,
Apenas a visão de um novo tempo
Armando com terror e contratempo
A dura tempestade que virá,
O amor já não seria mais tão forte
O tolo caminhar não me conforte
E o mundo desabando desde já.

92

Deixando bem distante do meu sonho
Realidade brusca e nada mais,
Ainda quando ouvira os sons banais
Tramando o que deveras não componho,
Meu canto se desenha mais bisonho
Ausente dos meus olhos teus cristais
Momentos que julguei fenomenais
O medo a cada engano mais proponho,
Esqueço o quanto pude acreditar
E bebo sem razão qualquer luar
Matando dentro em nós esta esperança
E o passo já cansado nada diz,
Aonde desejara ser feliz
Somente este vazio esta alma alcança.


93

Não ter a sensação de ser assim
Um átimo mergulha no vazio
E quando cada verso eu desafio
Vislumbro do começo o meio e o fim,
Ainda traduzindo o quanto eu vim
Vagando sem saber em turvo rio,
O preço do passado ora desfio
E o mundo se desenha ledo enfim,
Esqueço dos meus versos, e não trago
Sequer desta esperança algum afago
Mergulho no horizonte de nós dois,
E o caos se transformando a cada engano
O todo que pudera e assim profano
Não deixa quase nada pra depois.

94

Viver uma emoção aonde um dia
Pudesse acreditar felicidade
O tempo com terror a vida evade
E o manto de mais nada serviria,
Ainda quando vejo a mais sombria
E dura sensação sem liberdade
Ousando mergulhar na falsidade
A porta escancarada da agonia.
Espreitas e tocaias, queda em vão
Os dias mais felizes não trarão
Sequer o quanto pude acreditar,
Marcando com meu passo em sobressalto
O todo se desenha aonde incauto
Salgando lacrimejo em pleno mar.


95

Os dias que se foram no passado
E o quanto poderia e nunca vira
A sorte desenhando esta mentira
O vento há tanto tempo desolado,
E quando a sensação do medo invado
O corte se aproxima tira a tira
E o pranto na verdade não prefira
Viver o que pudesse neste enfado,
Agora que talvez a vida trace
O mundo sem saber de mais impasse,
Restauro com meu verso o quanto pude
Vestindo a sorte imensa de te ter
Mergulho neste imenso bem querer
Mudando num momento de atitude.

96

Refazem plenitude versos tais
E quando as sortes dizem do futuro
Ainda quando muito eu me asseguro
Dos dias entre pedras e cristais,
Os olhos procurando quando trais
O canto noutro enfado e me torturo,
O passo sem destino, salto o muro
E vejo apenas isso e nada mais,
Escassos olhos dizem do horizonte
E nisto cada verso mais aponte
O todo sem sentido e nem razão,
Açoda-me saber desta esperança
E quando o meu caminho a ti se avança
Traduz os novos tempos que virão.


97

Com mãos de mestre, amor ao esculpir
O sonho dentro da alma de um poeta
A vida na verdade se completa
Adentra com firmeza este porvir,
E o todo se deseja a redimir
Enganos tão temidos; se repleta
Minha alma com a vida mais dileta
Dos cantos como fosse um elixir,
Esqueço dos meus erros e prossigo
Ainda que não vás sempre comigo
O tempo não permite mais engano,
E quantas vezes tento noutro rumo
Bebendo da alegria o supra-sumo,
Até quando no fim me desengano.

98

E deixa para trás apenas isso,
O risco de sonhar e ser feliz
Aonde o meu passado contradiz
O todo que deveras mais cobiço,
Ainda se mostrasse mais mortiço
O passo desenhado por um triz,
O corte deslumbrando o que se quis
A flor já não possui, pois qualquer viço.
E o medo desenhando cada passo
E sei que na verdade sigo lasso
Perdido entre os delírios e arrebóis
E ao mesmo tempo bebo a liberdade
Enquanto o sonho audaz no fim se evade
E o passo noutro rumo tu destróis.


99

Tomando uma ilusão em mãos profanas
As sortes mais doridas; não permito
E sei da intensidade do infinito
Enquanto no caminho sempre enganas,
As horas mais audazes, soberanas
E os cantos onde houvera apenas grito
O amor que tantas vezes necessito
As sobras são deveras espartanas.
Escassas noites dizem da esperança
Quem sabe e tanto espera já se cansa
No fim a vida dita a solidão,
E sei dos meus tormentos costumeiros
Aonde poderiam os luzeiros
Somente trevas frias se verão.

19500

Receios de vivermos sem destino
Cansados desta luta inconseqüente
Ainda que outro rumo a sorte tente
Aos poucos sem sentido me alucino,
E bebo deste sonho cristalino,
E nele por mais forte que se vente
O tempo não presume o que me alente
Matando o coração, ledo menino,
Agraciada lua que decora
A noite sem saber sequer desta hora
Vagando pelos céus, maravilhosa,
E o todo se aproxima de um momento
Aonde com certeza em paz me invento
Gerando em primavera, espinho e rosa.

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