segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Não vou deixar que o vento me carregue
E traga nada além de versos tortos,
Meu barco não se pondo noutros portos
Enquanto a vida além teima e prossegue,

O tanto que pudera e assim já segue
Em dias na verdade semimortos,
Há muito alimentando natimortos
E o quanto se desenha e não consegue

A vida se aproxima de tal fato
E quando algum sentido enfim resgato,
Percebo o mesmo caos aonde houvera

Somente o que tentei e não sabia
Vivendo o desengano e a fantasia
Matando em duro estio a primavera.

Quisera tão somente alguma sorte
Depois de tantos erros, costumeiros
E quando me percebo sem luzeiros
Não tendo nem o quanto me conforte,

Meu passo que pudera ser mais forte
Os dias entre tantos jardineiros
Ousando nestes campos derradeiros
E nada mais que eu tente inda suporte,

Vagando sem destino, imenso mar,
Pudesse noutro enredo desenhar
A vida sendo assim, suave e mansa,

Mas quando vejo o brilho do nefasto,
Meu mundo se demonstra agora gasto
E o tanto quanto quis, decerto cansa.


Não pude e nem devesse ainda ver
Após o quanto resta dentro em mim
Marcando o meu início, até o fim,
Vivendo o que pude sem saber,

O canto sem saber o que trazer
E deixo o meu cenário e sei que assim
O tempo se aproxima e vejo enfim
A vida sem sentir em vão querer,

Ausento dos meus dias, e prossigo
No quanto tantas vezes vou contigo
Tentando no final algum alento

O passo se desenha sem sentido
E o quanto poderia agora olvido
Enquanto com certeza a luz eu tento.

Espero o que inda resta do passado
E gera o meu momento mais gentil,
Depois do quanto pude e se reviu
Assim a cada instante além evado,

Não posso desenhar a vida em fado,
Semente que deveras não se viu,
Matando o quanto em pouco repartiu
Deixando para trás qualquer legado.

Meu passo sem sentido, um erro a mais,
Olhando para os velhos temporais
Não posso enfim sentir senão a queda

E a morte se anuncia sem segredo
Enquanto alguma paz inda concedo,
Meu mundo no vazio se envereda.

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