segunda-feira, 11 de abril de 2011

41

Tu sabes dos meus vícios e pecados
E tento a cada instante a liberdade
Em dias entre dias desenhados
Enquanto a solidão agora invade,
Pudesse ouvir da vida os seus recados
Aonde se vislumbre a claridade
O verso entre diversos, tensos fados,
E a vida relutando em realidade.
Pousando mansamente em tuas mãos,
O sonho se inundando em vários nãos
Vivesse a plenitude de um momento.
E todo o que se mostra neste ponto
Traduz o que deveras busco e conto
E traz o quanto quero e mesmo tento.

42


Meus erros são enormes, mas eu vejo
O sol ao renascer noutro horizonte
Aonde o meu cenário em paz aponte
Encontro o quanto tenho em ar sobejo,
O mesmo o que deveras ora almejo
Expressa este caminho aonde a fonte
Traduza o que em verdade sempre apronte
Um ato mais feliz onde o prevejo.
Resulto deste tanto ou mesmo até
Do quanto poderia em plena fé
Viver a claridade que me trazes,
E sei que deste amor que me incendeia
Tocando com furor em lua cheia
Após as mais diversas, ledas fases.

43

Eu não quero tão somente
O que tanto poderia
Numa noite atroz e fria
Onde o sonho sempre tente,
A verdade impertinente
Mesmo quando em agonia
Gera além da fantasia
O meu mundo mais contente.
E deveras posso além
Do que tanto o tempo tem
E viceja em esperança
O meu passo se traduz
Na alegria feita em luz
Onde o sonho em paz avança.

44

Não tentasse ser somente
Um antigo sonhador
Que envolvido pelo amor
Tantas vezes teima e mente
Navegando em tal corrente
Seja lá como inda for,
Ouso crer no redentor,
Mas minha alma nada sente.
Somo os erros do passado
Vejo as tramas de um futuro
Onde mesmo em solo duro
Nada tenho desenhado,
Tão somente os mesmos medos
Velho barco entre os rochedos.

45


Nada quis ou não pudera
Perpetuo o sofrimento
E se tanto ainda tento
Alimento a velha fera,
Minha vida destempera
E se bebo o que inda invento
Noutro porto, o velho vento,
Outra fonte não se espera.
O que possa em tal resumo
Traduzir em fogo e fumo
Esvaindo lentamente.
No final já nada trago,
Nem sequer quando divago
Vago em sol duro, inclemente.

46


Nos resquícios do que outrora
Procurara qualquer canto,
O meu mundo sem teu canto
A vontade me devora
E o quanto me apavora
Mal saber deste quebranto
Onde possa em desencanto
Viver quanto desancora.
Dos meus erros, o que vejo
O meu tempo noutro ensejo
Entre raios e trovões
E tampouco fui feliz,
O que resta e mesmo fiz,
Negas em vãs explosões.

47

Percebendo uma mudança
Onde o pouco dominasse
A verdade diz do impasse
No vazio em que se lança;
Procurando a temperança
Na verdade que se trace
Mesmo quando se moldasse
Outro passo, nada amansa.
Coração sem mais cuidado
Arco sempre com meu erro
E vivendo este desterro
Tendo a sorte em tempo errado,
Vivo sem ter a ventura
Do que possa em tal procura.

48

Nada mais pudera quando
O meu barco naufragara,
Noutro tempo, esta seara
Pouco a pouco se tornando
O que um dia se moldando
Fez a vida mais amara,
A verdade desprepara
O meu peso irei soltando.
Vago sem saber do quanto
Poderia noutro instante
E se tento além me espanto
E em verdade nada resta,
Senão esta falsa festa
Que esta vida ora garante.

49


Não queria mais um sonho
Nem tampouco outra emoção
O que queres e proponho
Traz a velha viração,
Onde a vida eu decomponho
Moldo a sorte e vivo o não,
O meu prazo mais bisonho
Encontrando esta explosão.
Vejo o fim de cada estrada
Nas entranhas do prazer,
Do final não resta nada
E nem posso perceber
A verdade anunciada
Traz somente o nada ser.

50

Já não cabe mais sonhar
Nem tampouco crer na luz
Que tampouco me conduz,
Sem saber de algum lugar,
Onde pude desejar
O que nunca me seduz
Envolvendo o que propus
Noutro incerto delirar.
Jamais pude crer no fato
E se tanto ora constato
Não retrato o que inda fui,
O meu tempo se perdendo
Sendo apenas mero adendo
Que sem rumo segue e flui.

Nenhum comentário: